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Os desafios para a alimentação e agricultura mundiais

Esta semana falámos com António Sevinate Pinto, Presidente da Direção da Anseme, Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, Presidente do Conselho de Administração da LUSOSEM – Produtos para a Agricultura, S.A., Membro da Direção da 2ª Divisão da GROQUIFAR – Associação de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos, entidade que representa na gerência da Sigeru – Sistema Integrado de Gestão de Embalagens e Resíduos em Agricultura.

1. Na sua perspetiva, qual a importância que a agricultura tem na alimentação mundial?
A agricultura tem como objectivo prioritário a produção de alimentos em quantidade e qualidade para satisfazer as necessidades da população. E assim tem sido ao longo de toda a história da Humanidade em que o Homem foi aperfeiçoando as técnicas de produção, trocando experiências, introduzindo novos conhecimentos e acompanhando as necessidades de uma população sempre crescente e exigente de qualidade.
A grande questão é como conseguir esse desígnio fazendo face à actual explosão demográfica e com evidente limitação de recursos. Em particular solo arável e água de qualidade.
À maior ou menor complexidade dos diversos sistemas de produção, junta-se a dificuldade de uma distribuição equitativa dos alimentos, resolvendo os enormes desequilíbrios da sua disponibilidade.

2. Considera que a população está ciente dos desafios da agricultura?
Infelizmente o afastamento do campo tem originado uma, cada vez maior, dificuldade de compreensão da sua importância e dos seus problemas.
A actual “consciência urbana” facilmente acessível a uma intoxicação informativa ditada frequentemente pela ignorância, leva a que vulgarmente se identifica a agricultura e os agricultores como os culpados de todos os males.
A facilidade de acesso aos produtos alimentares, de todas as latitudes e em qualquer época, coloca no pódio mais evidente o supermercado.
Claro que nas sociedades onde a fome é reconhecida como o grande inimigo a combater, onde não abundam os recursos para adquirir não importa “o quê” nem “de onde”, a agricultura e os agricultores são respeitados pela sua crucial importância e complexidade das suas tarefas.

3. Na sua perspetiva, quais os maiores mitos existentes, por parte do consumidor, sobre a agricultura moderna?
Na nossa opinião o maior “mito do consumidor” é exactamente o absoluto desconhecimento sobre o que é na realidade a “Agricultura Moderna”.
A Ciência Agrícola e a evolução da tecnologia disponível para a Produção, a Segurança alimentar, o respeito pelo Meio Ambiente e a preservação dos Recursos Naturais em todos os processos produtivos, são, hoje e cada vez mais, pilares incontornáveis de uma Agricultura Moderna.

4. Quais são, na sua visão, os desafios ao setor agrícola para os próximos anos?
O grande desafio com que se depara a agricultura é responder às necessidades de uma população, em crescimento exponencial e gerindo recursos cada vez mais limitados.
Em meados do último século, um agricultor produzia alimento para uma dúzia de pessoas. Hoje o mesmo agricultor alimenta mais de cento e cinquenta pessoas e estima-se que dentro de três a quatro anos, passará a alimentar mais de duzentas.
Estudos recentes, concluíram que nos últimos quinze anos a superfície arável disponível foi reduzida em cerca de 10% só pela ocupação social, resultado do crescimento populacional.
Por outro lado, a disponibilidade e gestão da água de qualidade necessária para assegurar a produção constitui outro dos prementes desafios da agricultura.

5. Que medidas considera que deveriam ser tomadas pelo setor agrícola para aproximar o consumidor da agricultura moderna?
É nossa opinião que uma discussão séria envolvendo representantes das diversas correntes de opinião sobre a importância e impactos da Agricultura acompanhado de uma forte e competente campanha de informação de toda a sociedade daria um positivo contributo para essa aproximação cada vez mais necessária.
O sector técnico responsável não pode ficar calado perante afirmações/informações muitas vezes sem qualquer outra intenção que não seja denegrir a acção dos agricultores e do seu trabalho.
Não há boa e má agricultura. O que há são boas e más práticas agrícolas, em qualquer dos modelos de produção seguidos.
Uma “Agricultura Moderna” utilizando tecnologia de informação disponível, seguindo sistemas culturais bem adaptados, gerindo recursos naturais no absoluto respeito pelo Homem e Ambiente, é seguramente defendida em todos os modelos de produção e a sua correcta divulgação facilitará o esclarecimento e a aproximação ao consumidor.

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