Drones e robots: Agricultura também é tecnológica

Apesar de ser vista como uma atividade tradicional, pouco tecnológica e nada sofisticada, a agricultura já usa tecnologia de ponta para ganhar eficácia e competitividade. Da inteligência artificial à gestão remota, as novas ferramentas têm-se focado no uso mais eficiente dos recursos naturais e no aumento produtividade.

As novas tendências da produção agrícola foram destacadas no Agri Innovation Summit, uma iniciativa do Governo português e da União Europeia, que decorreu entre 11 e 12 de Outubro. Através do programa Horizonte 2020 e da PAC (Política Agrícola Comum), a Comissão Europeia tem financiado projetos que já estão a dar frutos. Aplicações que conseguem acompanhar o percurso dos produtos alimentares, ferramentas que melhoram a agricultura de precisão ou consultoria digital, são algumas das inovações já concretizadas. De acordo com a Comissão é na área da agricultura de precisão que tem havido maior foco e desenvolvimento tecnológico, com a intenção de encontrar respostas à necessidade crescente de alimentos e de um uso mais sustentável dos recursos.

Uma análise recente da CBC News elencou alguns exemplos de novas tendências, como a dos robots da Blue River Technology capazes de identificar ervas daninhas e dosear com alta precisão a quantidade de herbicida a aplicar. Esta startup norte-americana foi comprada pelo gigante dos tratores John Deere por 305 milhões de dólares (cerca de 257 milhões de euros) que, com quase dois séculos de existência, apostou numa atualização arrojada das máquinas agrícolas. A tecnologia combina visão computacional com inteligência artificial e pulverizadores automatizados com câmaras, que recorrem a software de machine learning para distinguir as plantas.

Outro projeto diferenciador é o da Hands Free Hectare, da Universidade Harper Adams, no Reino Unido. Sem intervenção humana no terreno, são as máquinas que controlam à distância o cultivo de culturas arvenses (aquelas cujo ciclo não ultrapassa um ano). Nesta experiência piloto, já concluída, foram plantados e colhidos 2,47 hectares de cevada com recurso exclusivo a veículos autónomos e drones.

A Hands Free Hectare é financiada não só pelo governo britânico, mas também pela indústria (incluindo fitofarmacêutica). A perspetiva é reduzir os custos, aumentar a produtividade e usar eficientemente todos os recursos disponíveis para produzir matérias-primas e alimentos. A aplicação correta de fitofármacos e o uso de novas tecnologias contribui para uma melhor gestão da atividade agrícola.

 

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