Maria do Carmo na Fito entrevista, Secretária Geral do COTHN.

Maria do Carmo, Secretária-Geral do COTHN desde 2008, é a entrevistada desta semana. Com uma elevada experiência como técnica de fruticultura, as principais actividades que desenvolve no Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional estão relacionadas com a transferência de conhecimento ao longo da fileira frutícola das quais se destaca o levantamento das necessidades de investigação, que tem permitido o estabelecimento de parcerias para a elaboração de projectos. Das actividades de transferência de conhecimento destaca-se, dias de campo, balanços de campanha produtiva, seminários de peritos, reuniões técnicas e participações em projectos de cooperação, inovação e demonstração, de interesse para a fileira hortofrutícola.

 

Na sua perspetiva, qual a importância que a agricultura tem na alimentação mundial?

Claro que a agricultura tem um papel fundamental. Pegando numa das definições possíveis de agricultura como o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obter alimentos, bebidas, fibras, energia, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, ferramentas, ou apenas para contemplação estética, vemos que não será possível alimentar o mundo sem agricultura. Numa altura em que as projecções continuam a apontar para o aumento da população mundial, cada vez é mais exigido ao agricultor, pois com os mesmos recursos terá mais bocas para alimentar e de forma cada vez mais sustentável.

 

Considera que a população está ciente dos desafios da agricultura?

Se consideramos a população que vive nas cidades sem qualquer ligação à produção agrícola, julgo que não. Infelizmente, e na minha opinião, julgo que a população em geral não tem a noção do nível tecnológico e altamente profissional que existe na actividade agrícola e da elevada preocupação que o agricultor tem com a sustentabilidade dos recursos. Antes da preocupações da população em geral, baseadas em modas que se vão lançando, muitas delas sem qualquer fundamento, ou então completamente desvirtuadas, existe a preocupação do agricultor em produzir da forma mais eficiente e sustentável que puder, pois a sua preocupação passa pela manutenção da sua actividade que está intimamente ligada com a conservação dos recursos que dispõe para produzir. Conseguir conjugar a necessidade de produzir cada vez mais com os mesmo recursos e da forma mais sustentável e eficiente possível é sem dúvida o grande desafio da agricultura e que só se consegue com a incorporação de conhecimento de tecnologia  de ponta.

 

Na sua perspetiva, quais os maiores mitos existentes, por parte do consumidor, sobre a agricultura moderna?

Que se trata de uma agricultura gastadora de recursos (água, solo e produtos fitofarmacêuticos) sem qualquer preocupação com o nível da eficiência. Infelizmente a noção que o publico em geral tem agricultura moderna, é o abuso sistemático dos factores de produção, que levam a uma incerteza relativamente à segurança alimentar e ao sabor e qualidade dos produtos agrícolas. Desconhecem o quanto a agricultura moderna se aproxima de uma actividade tecnologicamente evoluída, que a utilização dos factores de produção é realizada ao pormenor, que por exemplo a aplicação de produtos fitofarmacêuticos obedece a estimativas de risco e a níveis económicos de ataque que definem como e quando intervir, para evitar desequilíbrios, que não gastamos e poluímos a água como acontece com a industria ou como no uso domestico das nossas casas, mas que a transformamos em alimentos e que ainda por cima a purificamos pois as plantas ao evapotranspirarem liberam vapor de água completamente limpo para atmosfera, só para dar alguns exemplos.

 

Quais são, na sua visão, os desafios ao setor agrícola para os próximos anos?

Conseguir conjugar a necessidade de produzir cada vez mais com os mesmo recursos e da forma mais sustentável e eficiente possível é sem dúvida o grande desafio da agricultura e que só se consegue com a incorporação de conhecimento de tecnologia  de ponta.

 

Que medidas considera que deveriam ser tomadas pelo setor agrícola para aproximar o consumidor da agricultura moderna?

É um outro desafio: a comunicação. Ainda não conseguimos chegar ao publico em geral de uma forma positiva e credível. Temos que saber comunicar melhor e de forma coordenada. É assim que os outros sectores fazem e é isso que temos que fazer. Comunicar o quanto a agricultura é verde por inerência própria e o quanto os nosso produtos são de levada qualidade e seguros, o quanto contribuímos para a riqueza nacional, mas de forma articuladas entre as diversas organizações e entidades da fileira de forma podermos ter uma única voz e podermos estar preparados para responder às noticias, muitas delas com elevada falta de credibilidade, que vão saindo um pouco por todo o lado. Falta-nos mais uma vez organização também nesta matéria.

 

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