Pesticidas e agricultura sustentável? Sim, claro!

Para proteger a biodiversidade e os recursos naturais são necessários instrumentos eficientes, como a gestão de resíduos.

Nunca se falou tanto sobre alimentação. Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a origem dos alimentos que colocam no prato, procuram novos produtos, pedem sabor e elevados valores nutricionais. As atenções viraram-se para a produção agroalimentar que, com uma população mundial em crescimento e a exigir cada vez mais sofisticação, enfrenta desafios complexos: tem de produzir mais matéria-prima para responder à elevada procura, tem de contribuir para a prosperidade económica e social da área onde atua (zonas rurais) e garantir a preservação dos recursos naturais, o solo, a água e biodiversidade.

Para responder às exigências são necessários instrumentos eficientes e tecnologias sustentáveis e a indústria tem dados passos firmes na adoção de boas práticas, nem sempre conhecidas da opinião pública.

Uma delas é a gestão dos resíduos das embalagens. Em Portugal, o Valorfito (Sistema Integrado de Gestão de Embalagens e Resíduos em Agricultura) opera desde 2011 na recolha de embalagens. Em 2016, registou-se a retoma de 53% das embalagens de produtos fitofarmacêuticos colocados no mercado, uma percentagem mais elevada face os 47,4% alcançados em 2016. O número de pontos de retoma também aumentou: há atualmente 918 locais ativos no país, indispensáveis para garantir uma recolha eficaz.

Já este ano a licença atribuída ao Valorfito foi renovada e alargada: passaram a estar incluídas todas as embalagens de fitofármacos (antes estavam excluídas as embalagens com capacidade superior a 250L), a gestão dos resíduos das embalagens dos biocidas (produtos usados em ambiente essencialmente não agrícola, mas cujos resíduos passam agora a ter o tratamento correto) e, finalmente, passaram a estar abrangidas as embalagens de sementes destinadas a utilização profissional – esta mudança contribui de forma decisiva para a responsabilidade ambiental dos produtores agrícolas.

Apesar do avanço positivo, há ainda um longo caminho a percorrer. Portugal é um dos poucos países da União Europeia sem um sistema que integre todos os resíduos da atividade agrícola, incluindo as embalagens de adubos e fertilizantes ou as tubagens da rega e os plásticos.

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