Segurança Alimentar Sustentável

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Agenda 2030) – erradicar a fome, reduzir as desigualdades, aumentar o nível médio de vida das populações, etc – geram um consenso alargado na Sociedade. Aos agricultores e a todos os stakeholders do setor primário, a montante e a jusante dos agricultores, cabe a vital missão de garantir a Segurança Alimentar, ou seja, garantir a produção de alimentos em quantidade suficiente para alimentar a crescente população mundial, mas também cabe a obrigação de atingir esta meta preservando os ecossistemas do planeta Terra. Ou seja, produzir mais alimentos, sem gastar mais recursos naturais.

A campanha Considere os Factos propõe uma reflexão pública entre o sector agrícola e toda a sociedade civil, ou seja, todos nós enquanto consumidores, com o propósito de responder às preocupações e mal-entendidos sobre o papel da ciência na produção agrícola e debater o assunto de forma transparente. A campanha baseia-se em factos, resultado de um estudo e de uma análise profunda ao impacto económico e social em Portugal da retirada da tecnologia necessária para a protecção fitossanitária de culturas chave do nosso país, como são a Pera Rocha, o Tomate, o Milho, o Azeite e o Vinho. Realizado em colaboração com organizações de produtores, os resultados fizeram soar um alerta de preocupação para os produtores, consumidores e para a economia nacional: – Queremos continuar a ter produtos nacionais seguros, de qualidade, a um custo aceitável. E você?

A discussão sobre o tema Sustentabilidade, um termo que é usado de forma transversal a todo momento e por todos os setores, não gera consenso e pode inclusive estar a impedir que se alcance maior progresso no cumprimento da Agenda 2030. Alguns grupos defendem a Sustentabilidade Económica, ou seja, será que a atividade produtiva gera o lucro necessário para garantir a continuidade do investimento? Outros pugnam pela Sustentabilidade Ambiental, ou seja, estará a atividade produtiva a conseguir minimizar o impacto nos recursos escassos, contribuir para incrementar a biodiversidade ou reduzir o uso da água e da terra? Depois há ainda a Sustentabilidade Social, será que a Sociedade a deseja realmente? A forma como os trabalhadores são tratados ao longo da cadeia produtiva é aceite pelos consumidores?

Na realidade a Sustentabilidade deve abarcar estes três pilares: Económico, Social e Ambiental.

 

Políticas erradas podem comprometer o progresso.

Os dogmas e as posições inflexíveis não ajudam a avançar em matéria de Sustentabilidade. Todos os sistemas de produção de alimentos – convencional, biológico, com ou sem recurso a organismos geneticamente modificados – podem contribuir para atingir a Segurança Alimentar Sustentável. Riscar do mapa tecnologias inovadoras, sem uma base científica sólida como argumento, pode ter consequências negativas. O caso dos neonicotinóides é um bom exemplo de como políticas erradas podem contribuir para travar o progresso. Os organofosforados foram substituídos pelos piretróides, que por sua vez foram substituídos pelos neonicotinóides, cujo modo de ação e nível toxicidade é muito inferior ao das famílias químicas suas antecessoras. Caso os agricultores europeus tenham que voltar a aplicar piretróides para controlar as pragas que afetam as suas culturas, na ausência dos neonicotinóides, podem os consumidores ter a certeza de que o impacto para o ambiente e para as abelhas é muito maior. Além do planeta Terra, os agricultores europeus são os grandes lesados destas políticas erradas, pois perdem competitividade perante agricultores de outras regiões do Globo. Sejamos flexíveis e abertos ao diálogo, para que em conjunto possamos perceber o contributo de cada tipo Agricultura para a Segurança Alimentar Sustentável. Com medidas específicas e metas quantificadas, mas nunca de costas voltadas.

Felisbela Campos Torres Presidente da ANIPLA

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