Zonas rurais determinantes para a produção alimentar

FAO defende que o interior pode beneficiar da crescente urbanização e ter um papel a desempenhar no abastecimento da população mundial

Os países mais pobres arriscam-se a aumentar a dependência de importações de alimentos se não investirem na agricultura nas suas zonas rurais. O alerta é da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que num relatório recente sublinha que é preciso investir na produção agrícola para dar resposta ao aumento do consumo de carne, fruta e vegetais, a par do crescimento da população mundial.

A FAO acredita que o interior pode beneficiar da crescente urbanização e ter um papel determinante no abastecimento de alimentos. No documento, a organização recorda que as zonas urbanas consomem mais de 70% da comida e, graças a um poder de compra crescente, estão a mudar de hábitos alimentares, optando por produtos de maior valor. O mercado alimentar na África Subsariana, por exemplo, deverá crescer de 150 mil milhões de dólares para 500 mil milhões de dólares entre 2010 e 2030, calcula a FAO. Assim, “a urbanização pode ser uma oportunidade de ouro para a agricultura”.

Contudo, para os pequenos agricultores, o desafio é grande. “Mercados mais lucrativos podem levar à concentração da produção alimentar em empresas de maior dimensão e a cadeias de valor dominadas por grandes [indústrias] transformadoras e retalhistas e à exclusão dos pequenos empresários”, alerta. Melhorar o acesso ao financiamento, estimular a mecanização da agricultura ou revitalizar os sistemas de extensão rural, são algumas das medidas defendidas pela FAO para inverter o cenário.

Os desenvolvimentos tecnológicos e a investigação científica podem ajudar os pequenos produtores a atingir ganhos de produtividade e contribuir, assim, para a produção sustentável de alimentos.

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