Alterações climáticas em risco de mudar a dieta europeia

As alterações climáticas estão a afetar cada vez mais a agricultura europeia, ao ponto de mudar os frutos e legumes que nos chegam ao prato. Isso mesmo confirma a União Europeia (UE), num artigo extenso, em que aponta o calor extremo ou a chuva em excesso fora das épocas habituais como os principais responsáveis. Estes elementos estão a ter um impacto significativo na produção agrícola, chegando a mesmo a reduzir a qualidade dos produtos, comprometendo o seu armazenamento. Por exemplo, no verão deste ano, a seca que atingiu a Europa levou a uma queda significativa na produção total de cereais da UE, estimada em 8% abaixo da média dos últimos cinco anos. Também por causa da seca, a produção de carne bovina aumentou mais do que o previsto em 2018, em virtude da antecipação do abate, por causa da escassez de forragem.

Mas a qualidade também ficou comprometida pela chuva frequente no norte da Europa, que resultou num menor teor de proteína no trigo em 2017, afetando negativamente as exportações europeias.

Segundo vários especialistas, esses efeitos no futuro tenderão a intensificar-se cada vez mais, tornando-se um constante desafio para setor agroalimentar.

Na tentativa de travar esta situação, a UE disponibiliza apoios aos agricultores que se encontram em dificuldades financeiras. A saber: a partir de meados de outubro de 2018 os apoios aumentaram de 50% para 70% do montante total dos pagamentos diretos e de 75% para 85% para o desenvolvimento rural.

Mas há condições. Só os agricultores que contribuírem na sua atividade, para a redução da emissão dos gases com efeitos de estufa, os grandes responsáveis pelas alterações climáticas, poderão recorrer a estas ajudas financeiras da UE.

Os pagamentos diretos aos agricultores podem também ser complementados com somas adicionais em troca das chamadas medidas greening (“ecologização”), como a diversificação das suas plantações, a proteção de pastos ou a criação de “áreas de foco ecológico”, onde a terra não é cultivada entre as suas culturas.

Estas são algumas das medidas que já mostraram os seus benefícios ambientais para a biodiversidade, qualidade da água e do solo, recuperação do carbono e paisagens. Mas é preciso continuar a fazer mais e melhor, com o cumprimento do acordo de Paris de 2015 como guia. E nesse sentido, a inovação e o conhecimento podem também contribuir para um setor agrícola mais sustentável, nomeadamente através de robôs, satélites, drones, entre muitas outras, no sentido de tornar a agricultura uma atividade cada vez mais sustentável.

 

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