Factos

Esta é uma iniciativa da Anipla, com o apoio da Associação Europeia de Proteção das Plantas (ECPA), e a colaboração de diversas associações nacionais de produtores, que pretende informar a população portuguesa para os temas da agricultura, evidenciando os desafios inerentes ao sector e apresentando factos relacionados com a ciência e tecnologia para a proteção das culturas.

As mensagens da campanha apresentam factos que visam informar e esclarecer um crescente número de consumidores que pretende, cada vez mais, ser e estar informado sobre a realidade por detrás da produção de produtos alimentares. Informação essencial no momento em que a FAO, a organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, apela à importância do controlo das pragas, doenças e infestantes das culturas, e alerta para as crescentes necessidades de alimentação de uma população mundial que continuará a aumentar até 2050.

Em Portugal foi realizado um estudo que pretendeu avaliar o Impacto Económico da retirada de Substâncias Ativas em culturas chave no nosso País, em resposta à possibilidade de exclusão de cerca de mais de uma centena de substâncias ativas presentes nos produtos fitofarmacêuticos europeus, e que integram um grupo considerado em risco de exclusão. Este estudo foi realizado em colaboração com 27 outras entidades e individualidades nacionais, e apresenta uma análise do real impacto económico que esta decisão teria em Portugal.

O estudo teve como objeto cinco culturas essenciais em Portugal: a videira / vinho, a oliveira / azeite, o milho/grão, a pereira/pera rocha e o tomate / indústria, e ficou demonstrado como a exclusão destas técnicas tem um efeito muito significativo nos alimentos em causa, expondo os campos de cultivo aos inimigos das culturas, com consequências que, em alguns casos, significavam mesmo a possível impossibilidade de continuar a produção.

A campanha “Considere os factos” decorre até ao final do ano e prevê a transmissão de informação e factos da agricultura através de múltiplos meios e suportes, entre os quais as redes sociais, as plataformas digitais, a imprensa e a rádio, de Norte a Sul do país.

Comentários (2)

  1. Vou deixar um exemplo e o meu testemunho, breve, em relação à constante retirada de substâncias activas no nosso país.
    Somos oriundos da zona do Fundão e a minha família sempre se dedicou à produção de fruta. Tínhamos uma área de produção de pêssego no Ribatejo, junto à Chamusca, com um área de 20 ha. Plantamos o pomar no ano de 2000 e em 2016 tivemos que abandonar a produção de pêssego naquele pomar. Motivo: a pressão da mosca do mediterrâneo era de tal ordem, que nem para a industria já era possível produzir, porque a fruta não tinha os mínimos de qualidade para continuar com a produção. Durante os primeiros anos ainda conseguimos manter boas produções em termos de qualidade, mas depois da retirada de 1 substância activa que nos permitia resolver o problema da mosca, com apenas 1 ou 2 tratamentos por campanha, passamos a não resolve-lo e a realizar tratamentos sempre que o intervalo de segurança e número de aplicações o permitiam, com produtos que não resolviam o problema e com todas as consequências inerentes de andar constantemente a “banhar” o pomar. As margens esmagaram-se…
    Conclusão: como o problema da mosca “ceratitis capitata” ainda continua por resolver, perdeu-se uma produção anual de cerca de 1000 ton de pêssego, perdeu o produtor, perdeu o cliente da produção, perdeu a mão de obra local, perderam as oficinas, os revendedores de factores de produção (todos), os bancos, os restaurantes, as seguradoras, as transportadoras, etc.
    Enfim perdeu a economia local, os consumidores e o país…..tudo isto, por causa da retirada de 1 substância activa e de uma mosca!

    1. Caro Gonçalo Batista, muito obrigado pela sua mensagem e pela história que connosco partilha.
      É com desconsolo que escutamos a sua história que, infelizmente, é bastante mais frequente do que seria de esperar num país de tão grande tradição produtiva.
      Apesar de Portugal, e todo o espaço europeu, serem alvo de elevados níveis de controlo e uma rigorosa regulamentação das substâncias activas ao serviço da produção agrícola, temos sido confrontados com tomadas de decisão a nível nacional e da EU que transparecem um maior afastamento entre a evidência científica e a política.
      Esta campanha da Anipla, “Considere os Factos”, tem o propósito de informar a população portuguesa para os temas da agricultura e evidenciar os desafios inerentes ao sector, promovendo uma discussão séria e informada, que permita a sustentabilidade da produtividade dos produtores nacionais. Contamos também com o seu apoio e colaboração, e colocamo-nos ao seu dispor para tudo aquilo em que lhe pudermos ser úteis.

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