Desafios da produção alimentar nacional servem de mote ao #DiaMundialDaAlimentação

Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), refletir sobre a produção alimentar e os seus desafios, sensibilizando a sociedade para as realidades da produção agrícola torna-se especialmente relevante.

Numa época em que os desafios ligados à alimentação e agricultura são cada vez maiores (como a questão do desperdício alimentar, da fome, da obesidade, da segurança alimentar, etc), várias são as entidades que se têm insurgido a favor de opções de consumo mais conscientes e de uma produção alimentar mais sustentável. De nutricionistas, a bloggers, passando por chefs, médicos ou até mesmo agricultores, passar uma mensagem de saúde e sustentabilidade tem sido uma prioridade. Afinal de contas, em que pensam os portugueses no momento da compra dos seus alimentos? Na origem do produto ou no fator “novidade”, na sua qualidade ou no seu custo?

Isabel Zibaia Rafael, autora do blogue Cinco Quartos de Laranja e de cinco livros de cozinha, defende a priorização da produção nacional: “Temos que ter na nossa mesa, além da carne e do peixe, comida a sério, que cresce na terra, nos nossos solos.” Para a autora, no momento da compra, outros dos critérios de que se serve são a novidade do produto e o seu custo: “Passei a ser consumidora regular de produtos que há uns anos até desconhecia ou que nunca tinha provado. Passada esta fase tenho sempre em atenção o preço”, frisa Isabel Zibaia Rafael.

Também várias empresas ligadas ao setor agroalimentar têm dado primazia ao que se produz internamente, numa lógica de “o que é nacional é bom”. Detentora de três quintas de produção com um total de 250 hectares (90% dos quais ao ar livre), a empresa Vitacress tem investido em alimentos produzidos no nosso país. Para além disso, tem empregue esforços no sentido de levar ao consumidor produtos novos. Nuno Crispim, diretor de marketing da Vitacress explica: “Procuramos sempre aqueles ingredientes que possam criar surpresa e interesse por parte do consumidor, quer seja por serem vegetais que ainda não existem no mercado quer por apresentarem caraterísticas físicas ou nutricionais distintas”. Com o foco do seu negócio na produção de saladas lavadas e prontas a comer (ou seja, num segmento que ainda é relativamente pequeno em Portugal quando comparado com a venda de legumes não lavados), a Vitacress tem vindo a ganhar uma legião de adeptos, fazendo a empresa crescer dentro e fora de Portugal.

Com origens mais ou menos próximas, a verdade é que muitas novas espécies de plantas e legumes começaram a ser cultivadas nos últimos anos para satisfazer o desejo dos consumidores portugueses, cada vez mais seguidores das tendências alimentares atuais.

Para o médico e criador do projeto Scimed, João Júlio Cerqueira “Nunca na história da nossa civilização tivemos tanta qualidade e variedade em termos alimentares.”, ressaltando os excelentes níveis de segurança alimentar no nosso país (segundo o estudo mais recente da EFSA, 98,4% das amostras de produtos alimentares com origem em Portugal apresentam níveis de segurança dentro dos limites legais, evidenciando uma segurança superior à média dos países da Zona Euro.)
Apesar destes resultados positivos, o especialista em saúde explica que o receio de alguns consumidores quanto à segurança de alguns alimentos é causado por “grupos com diferentes interesses que se unem para demonizar e alarmar a população relativamente a determinados alimentos.”

Neste contexto, o médico chama a atenção para a importância da tecnologia, considerando-a “Essencial para aumentarmos a produção agrícola, o que é fundamental num mundo com cada vez mais bocas para alimentar.”

A verdade é que sem o recurso a tecnologia, satisfazer as necessidades/desejos dos consumidores não seria tarefa fácil. Além de softwares adaptados ao tipo de agricultura, a produção um pouco por todo o mundo já beneficia de uma série de equipamentos sofisticados como sensores ou drones que permitem fazer uma micro-gestão das plantações, tornando-as mais eficientes e sustentáveis, elevando a tecnologia à categoria de uma das principais aliadas da produção alimentar.

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