Portugal no mapa do património agrícola mundial

Região do Barroso é a primeira do país a integrar o Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (GIAHS) pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

O Sistema Agro-Silvo Pastoril do Barroso colocou Portugal no mapa do património agrícola mundial. Depois de um processo de candidatura, que se iniciou em 2017, este território conseguiu obter a clarificação de Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (GIAHS na sigla inglesa) da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Na Europa há apenas mais dois sistemas com esta classificação: o Sistema Agrícola de Valle Salado de Añana (produção de sal), Espanha, e o Sistema de Produção da Passa de Uva de Málaga, em La Axarquía, também em Espanha. Dois territórios de Itália aguardam a aprovação da FAO para integrarem o GIAHS. No mundo, um total de 50 sistemas agrícolas mereceram a classificação, a maioria localizados nas regiões de Ásia e Pacífico e no Norte de África. A intenção da organização das Nações Unidas é reconhecer métodos de produção e alertar para a importância de “proteger os bens e serviços sociais, culturais, económicos e ambientais que estes fornecem aos agricultores familiares, aos povos indígenas e às comunidades locais”. A FAO defende “uma abordagem integrada que combina agricultura sustentável e desenvolvimento rural”.

O património agrícola português passa, assim, a estar no mapa dos sistemas a proteger e a região do Barroso (concelhos de Boticas e Montalegre) distingue-se pela produção pecuária e culturas características das regiões montanhosas. De acordo com a FAO, os habitantes do Barroso “desenvolveram e mantiveram formas de organização social, práticas e rituais que os diferenciam da maioria das populações do país em termos de hábitos, linguagem e valores”. “Isso resulta das condições endógenas e do isolamento geográfico, bem como dos limitados recursos naturais que os levaram a desenvolver métodos de exploração e uso consistentes com sua sustentabilidade”.

A criação de gado e a produção de cereais na paisagem montanhosa deu origem a uma paisagem que liga pastagens, hortas, campos de centeio, bosques e florestas, “onde os animais constituem um ele-mento chave no fluxo de materiais entre os componentes do sistema”. A FAO acredita que o GIAHS poderá ajudar a valorizar os produtos endógenos e fortalecer os agricultores familiares.

A agricultura em Portugal é, na sua maioria, de estrutura familiar e as explorações de pequena dimensão representam 72,8% do total, gerando um valor produtivo inferior a oito mil euros por ano. Nestes sistemas, há métodos de produção próprios, interligados com a história e a cultura local. Já as explorações de grande dimensão geram mais de 100 mil euros por ano e, ainda que pesem apenas 3,9% do total das explorações, contribuem com 3,1 mil milhões de euros (de 60%) para o Valor de Produção Padrão Total (VPPT).

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