Produção de cereais da UE em queda. Portugal já tem plano para a aumentar

A produção de cereais na União Europeia, em 2018, deverá cair, segundo estimativa da Comissão Europeia (CE), num relatório publicado dia 5 de julho, apontando a seca no final da primavera em várias regiões da Europa, como a principal razão para estes resultados.

O relatório destaca que a produção total de cereais da UE para 2018/2019 deverá ser de 299,3 milhões de toneladas, ou seja, um decréscimo de 2,5% em comparação com 2017/2018, em que cresceu 3,5%.

Concretamente, prevê-se que as produções de trigo mole e duro diminuam, respetivamente, 3% e 5%, em relação ao ano passado. Quanto ao milho, ainda é cedo para prever a sua colheita, já que as suas culturas só se desenvolvem no final do verão, mas o aumento da sua área leva a prever que a produção de 2018/2019 poderá andar perto das 64 milhões de toneladas, pelo terceiro ano consecutivo. Já a produção de oleaginosas da UE deve diminuir 4,6%, em relação à colheita recorde do ano passado, prevista para 301,9 toneladas em 2018.

Num documento anexo ao relatório, em que consta a análise à produção dos Estados-Membros, Portugal surge com uma produção de 984 mil toneladas, em 2017 e 888 mil toneladas, este ano, o que dá uma queda de 9,7%.

Esta é uma realidade da agricultura nacional há muito conhecida, como provam as palavras do Ministro da Agricultura, Luís Capoulas dos Santos, em maio, quando refere, segundo notícia da agência Lusa, que o setor dos cereais em Portugal vive uma situação “desadequada”, esperando alterar o cenário dentro de cinco anos, aumentando o grau de auto-aprovisionamento para os cerca de 38% a 40%”.

Para cumprir esse objetivo foi criado um Grupo de Trabalho de Cereais para a Promoção da Produção Nacional de Cereais, com a missão de propor a estratégia nacional e o plano de ação para a promoção do desenvolvimento da cultura dos cereais em Portugal (Despacho n.º 5562/2017, de 26 de junho de 2017).

A estratégia proposta assenta em quatro pilares: as organizações de produtores; a organização ao longo da fileira da produção; a inovação e transferência de conhecimento e a PAC como principal instrumento de apoio à estabilização do rendimento dos agricultores e de incentivo ao investimento e adoção das práticas desejadas. Simultaneamente foram definidos três objetivos estratégicos e respetivos objetivos operacionais: reduzir a dependência externa, consolidar e aumentar as áreas de produção; criar valor na fileira dos cereais e viabilizar a atividade agrícola em todo o território.

Seguidamente foram identificadas 20 medidas prioritárias, que pode ver aqui e aqui.

A CE acrescenta, no entanto, que as “reservas de cereais da UE e mundiais são grandes e, apesar da forte procura global, é prematuro prever qualquer aumento significativo dos preços mundiais.”

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