Sintra. Incêndio apagado, reflorestação em marcha

Agora que o incêndio foi extinguido é preciso limpar, para depois reflorestar. Esta é a estratégia para os dias que se seguem ao fogo, ajudado por ventos fortes, que consumiu, durante 12 horas, cerca de 600 hectares, 4,1% do Parque Natural Sintra-Cascais com uma dimensão total de 14.583 hectares.

A intenção foi revelada pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, que, segundo a agência Lusa, afirmou que, a par dos trabalhos de controlo da frente ativa do incêndio que deflagrou pelas 22.50 de sábado, na zona da Peninha, a tarde de domingo foi ocupada com as equipas para lançar os trabalhos de limpeza.

“A preocupação vai também para toda a logística para reflorestar a serra, utilizando para isso o nosso banco genético florestal que tem 5.000 árvores e arbustos de espécies autóctones”, frisou o autarca à mesma agência noticiosa.

Diga-se, aliás, que a reflorestação da Serra de Sintra-Cascais é um trabalho relativamente constante. Além de que em 2017, mais de 55 hectares de manchas florestais foram intervencionados e este ano, já foi realizado o controlo de vegetação espontânea em 182 hectares.

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), para a serra de Sintra estão assinaladas cerca de 900 espécies de flora autóctone, metade das quais são mediterrânicas ou oeste-mediterrânicas. Cerca de 10% das espécies autóctones são endemismos (a nível mundial só se encontram em determinada área). Encontram-se cerca de 150 espécies introduzidas de outras partes do planeta, algumas invasoras.

Quando à faixa costeira, o ICNF refere que o elenco florístico da Serra de Sintra é muito variado e reúne grande diversidade de habitats. A vegetação dunar apresenta adaptações especiais, dados os fatores fortemente seletivos a que se encontra sujeita. São consideradas áreas de valor máximo, do ponto de vista da conservação, aquelas onde se encontra o miosótis-das-praias Omphalodes kuzinskyanae.

Classificada em 1995 pela UNESCO como Paisagem Cultural da Humanidade, Sintra tem na memória dois grandes incêndios: o do ano passado e o “grande fogo da serra de Sintra”, de 6 de setembro de 1966, no qual morreram 25 militares no seu combate.

Desde então, as autarquias de Sintra e Cascais têm vindo a devolver estratégias importantes na prevenção, nomeadamente através da limpeza de terrenos, reparação e conservação dos acessos à serra. Um trabalho que será para manter, pois trata-se de um bem de valor incalculável.

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